O ozono troposférico é um poluente secundário, o que significa que não é emitido diretamente por uma fonte emissora, mas forma-se na atmosfera quando determinados poluentes estão presentes e se verificam condições favoráveis à ocorrência das reações químicas que o produzem. Para lidar eficazmente com os seus impactos, é essencial compreender os processos de formação, identificar as fontes de emissão dos seus precursores e conhecer os padrões de transporte associados.
Como mostra a Figura, o ozono forma-se quando a radiação solar, em determinados comprimentos de onda, desencadeia reações fotoquímicas entre vários precursores, nomeadamente os Óxidos de Azoto (NOx) e os Compostos Orgânicos Voláteis (COV). A temperatura desempenha também um papel importante, influenciando a velocidade destas reações.
Existe uma grande diversidade de COV, que têm diferentes tempos de permanência na atmosfera e distintas capacidades para formar ozono, bem como várias fontes de emissão. Para além das fontes antropogénicas, uma parte significativa destes compostos provém de emissões biogénicas, tanto sob a forma de metano (CH₄) — emitido, por exemplo, em zonas húmidas — como de COVs não metânicos (COVNM) — libertados pela vegetação.
Dependendo das proporções de NOx e COV, o ozono pode ser tanto produzido como destruído na atmosfera. Por este motivo, a redução das emissões dos compostos precursores nem sempre se traduz numa redução das concentrações locais de ozono.
A escala espacial e o tempo de vida atmosférico são fatores particularmente relevantes na avaliação de medidas de mitigação, sobretudo no caso do metano e do seu impacto nos níveis de ozono. Por exemplo, o metano contribui de forma crítica para o ozono hemisférico, enquanto os COV e os NOx de origem local desempenham um papel significativo nos episódios de ozono (picos de poluição).
No contexto da Diretiva Europeia relativa a Qualidade do Ar Ambiente (2024/2881), a análise dos níveis de ozono e dos seus precursores (NOₓ, COVNMs e CH₄) mostra que este poluente continua a representar um grande desafio para a saúde pública, causando cerca de 71.000 mortes anualmente em toda a Europa.
A nova Diretiva Europeia sobre a Qualidade do Ar Ambiente reforça a abordagem ao ozono ao alinhar o objetivo a longo prazo para a proteção da saúde humana com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Adicionalmente, estabelece a obrigatoriedade de implementação de planos de qualidade do ar sempre que ocorram ultrapassagens dos valores-alvo e amplia significativamente a monitorização dos poluentes precursores, passando a abranger 46 espécies de COV.
A análise evidencia progressos relevantes na redução das emissões de precursores na Europa entre 1990 e 2022, com decréscimos de 64% de NOx, 62% nos NMVOCs e 39% no CH₄. Apesar destes avanços, persistem desafios importantes em setores específicos, como o tratamento biológico de resíduos, a utilização de solventes e a agricultura.
Para mais informações, consulte o portal da Agência Europeia do Ambiente disponível em Addressing ground-level ozone pollution in Europe | AEA Briefing 08/2026


