A Associação de Municípios Parque das Serras do Porto, constituída pelos municípios de Gondomar, Paredes e Valongo, vai adquirir dois terrenos para conservação da Natureza, na Serra de Santa Justa, em Valongo, na emblemática zona das Águas Férreas. A compra dos terrenos, no valor de cerca de 250 mil euros, irá totalizar 25,13 hectares sob gestão pública da Associação de Municípios Parque das Serras do Porto, garantindo proteção e intervenção na Natureza, a longo prazo.
A escritura da aquisição do primeiro terreno de 13 hectares, no valor de cerca de 135 mil euros, foi assinada a 28 de abril, pelo Presidente do Conselho Executivo da Associação de Municípios Parque das Serras do Porto, Alexandre Almeida. A segunda escritura será assinada brevemente. Esta aquisição, realizada no âmbito do projeto Serras do Porto Natura 2030, cofinanciado pelo FEDER / NORTE 2030, permite proteger uma área única para a Chioglossa lusitânica (Salamandra-Lusitânica), associada à ribeira do Inferno e a antigas minas romanas onde foram observados, pela primeira vez, ovos desta espécie.
Os processos de candidatura a financiamento e agora de aquisição foram preparados com o apoio estreito do Município de Valongo, na articulação com os proprietários, na aferição de limites no terreno, na redação de documentação e no registo notarial, envolvendo os serviços das áreas de Ambiente, Topografia e Jurídica.
Estes 25 hectares vão juntar-se aos cerca de 44 hectares já propriedade do Município de Valongo, aumentando assim de forma significativa a área sob gestão pública no nosso território.
A aquisição destes terrenos assume extrema relevância para a conservação do habitat da salamandra-lusitânica, espécie protegida e prioritária no território do Parque das Serras do Porto, com estatuto “Vulnerável”. Conjugada com uma aquisição anterior a expensas próprias do Município de Valongo, de uma área de cerca de treze hectares na zona montante da ribeira do Inferno, permite finalmente a gestão pública de toda a extensão desta linha de água, um passo entendido como exemplar no contexto da conservação deste anfíbio.
Esta aquisição tem ainda relevância estratégica em termos de planeamento e gestão florestal, pois o restauro ecológico destas áreas, em curso no âmbito dos projetos LIFE Serras do Porto e Serras do Porto Natura 2030, contribui também para a redução do risco de incêndios, promove a biodiversidade e reforça a resiliência do território, nomeadamente face às alterações climáticas.
Recorde-se que a Associação de Municípios Parque das Serras do Porto comemorou dez anos no passado dia 18 de abril. Este projeto intermunicipal de cerca de 6.000 hectares tem vindo a transformar-se num dos principais “pulmões verdes” da Área Metropolitana do Porto. O território entretanto classificado como Paisagem Protegida Regional está integrado na Rede Nacional de Áreas Protegidas.


