O Município de Valongo marcou presença na 2.ª Conferência Internacional Cidades pelo Clima, realizada no Beato Innovation District, em Lisboa, através da participação de três colaboradores municipais. Enquanto membro fundador da rede Cidades pelo Clima, Valongo integrou este importante momento de partilha de conhecimento, reflexão e construção de soluções para acelerar a transição climática nos territórios.
A conferência foi organizada pelo IN+ – Centro de Investigação em Inovação, Tecnologia e Política do Instituto Superior Técnico, pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), no âmbito do projeto europeu CapaCITIES 2.0, e pela Católica-Lisbon School of Business and Economics, integrando a programação da 2.ª Lisbon Sustainability Week.
A sessão de abertura reuniu cerca de 200 participantes e contou com intervenções de Maria João Rodrigues, Manuela Álvares, em representação da Presidente da Assembleia Geral da Cidades pelo Clima, Luísa Salgueiro, e Rui Frazão, da DGEG. O keynote speaker Ricardo Rio, da Global Enabling Sustainability Initiative (GeSI), destacou a importância da colaboração entre cidades, empresas e comunidades para responder aos desafios das alterações climáticas, apresentando o UN Solutions Hub, plataforma que promove soluções escaláveis para a ação climática.
Financiamento climático no centro do debate
O primeiro painel, dedicado ao tema “Unlocking Municipal Climate Investment”, centrou-se nos desafios e oportunidades para mobilizar investimento nos municípios. Moderado por Julio Lumbreras (CitiES2030), contou com a participação de Elena Simion (UEFISCDI e M100), Miguel Almeida (Fundo de Apoio Municipal) e Olga Kordas (Viable Cities), que analisaram instrumentos financeiros, modelos de governação e políticas públicas capazes de reforçar a capacidade de investimento local.
Ao longo da manhã, foram também apresentados exemplos concretos de ação climática em áreas estratégicas para as cidades. João Telha, da CARRIS, partilhou o percurso da empresa rumo a uma mobilidade urbana mais sustentável e descarbonizada. Rui Pimenta, da ENNO, destacou os desafios e oportunidades da implementação de soluções de sustentabilidade urbana à escala municipal. Já João Crispim, do Grupo Casais, abordou a integração de critérios de sustentabilidade e eficiência energética na construção e reabilitação de edifícios, enquanto Diogo Talone, da VEOLIA, apresentou casos de gestão integrada de recursos como água, resíduos e energia.
Financiamento misto para acelerar a transição
O segundo painel foi dedicado ao conceito de blended finance, ou financiamento misto, que combina capital público e privado para potenciar investimentos na transição climática. Moderado por António Baldaque da Silva, da Católica-Lisbon SBE, reuniu António Miguel Bento (University of Southern California), Matiss Paegle (BaltCap) e Natália Alencar (Banco Português de Fomento).
A discussão centrou-se na forma como os recursos públicos podem contribuir para reduzir o risco percecionado pelos investidores privados, criando condições para que o financiamento chegue aos territórios com a rapidez e dimensão necessárias para enfrentar os desafios climáticos.
Pactos locais para transformar os territórios
A tarde foi dedicada ao papel das parcerias locais na concretização da ação climática. Moderado por Bob DHaeseleer (ICLEI), o terceiro painel reuniu Ana Rita Barros (Porto Ambiente), Manuel de Brito (Sport Lisboa e Benfica) e Luís Pliteiro (Laboratório da Paisagem).
Os participantes destacaram que a transição climática exige compromissos partilhados entre municípios, empresas, associações e comunidades, reforçando a importância da cooperação para gerar impacto duradouro nos territórios.
Ação local para alcançar a neutralidade climática
Entre os momentos de destaque esteve também a intervenção de Giulia Lombardi, da Philea – Philanthropy Europe Association, que apresentou o potencial do financiamento filantrópico na aceleração da ação climática local.
O encerramento contou com as intervenções de Cristina Melo Antunes, do Santander Portugal, António Baldaque da Silva, Paulo Ferrão, Presidente do Board da Missão Cidades da União Europeia, e Vasco Anjos, Vereador do Ambiente, Energia e Sustentabilidade da Câmara Municipal de Lisboa.
Nas palavras dos intervenientes finais, ficou clara a importância da ação local, da cooperação entre diferentes agentes do território e dos Contratos Climáticos para as Cidades como instrumentos fundamentais para concretizar a neutralidade climática e melhorar a qualidade de vida das comunidades.
A conferência terminou com uma mensagem consensual: a transição climática exige investimento, inovação, colaboração e compromisso. E são as cidades, pela sua proximidade aos cidadãos e capacidade de mobilização, que desempenham um papel decisivo na construção de um futuro mais sustentável.
Pequenas mudanças. Grande impacto. Foi também este o espírito presente na iniciativa My Climate Commitments, um notebook lançado no âmbito da conferência para incentivar cada cidadão a transformar intenções em ações concretas, lembrando que a ação climática começa nos gestos do dia a dia e que cada contributo conta para a construção de comunidades mais resilientes e sustentáveis.
Fotografias: Rede Cidades pelo Clima


