O Dia Mundial da Lontra celebra-se anualmente na última quarta-feira de maio. Criada pelo International Otter Survival Fund, esta efeméride pretende sensibilizar para a importância da conservação das 13 espécies de lontras existentes no mundo e para as ameaças que enfrentam, como a poluição, a destruição de habitats e as alterações dos ecossistemas aquáticos.
Em Portugal, a lontra-europeia (Lutra lutra) é uma espécie nativa e protegida, presente na maioria dos rios e em algumas zonas costeiras. Considerada um dos mais importantes bioindicadores da qualidade ambiental, a sua presença está associada a cursos de água saudáveis, com boa qualidade da água, abundância de alimento e margens bem conservadas.
Depois de ter sofrido um acentuado declínio durante as décadas de 1970 e 1980, devido à caça, à poluição industrial e à degradação dos habitats ribeirinhos, a lontra recuperou significativamente em Portugal. Atualmente, encontra-se presente em todas as grandes bacias hidrográficas nacionais e continua a expandir-se para novos territórios.
No concelho de Valongo, a lontra já pode ser observada nos rios Ferreira e Leça, um sinal encorajador da qualidade ecológica destes ecossistemas. O seu regresso está intimamente ligado aos trabalhos de renaturalização, reabilitação fluvial e restauro ecológico que têm vindo a ser desenvolvidos nestes cursos de água, promovendo a recuperação da vegetação ripícola e das condições necessárias à fauna aquática.
A recuperação da lontra é uma das mais notáveis histórias de sucesso da conservação da natureza em Portugal. A sua presença recorda-nos que a proteção dos rios e das linhas de água é essencial para a biodiversidade e para o bem-estar das comunidades humanas.
Um rio com lontras é um rio mais saudável.


